QUANTAS TERRAS E MARES, QUANTAS TORMENTAS, PERSEGUIÇÕES, MORTES E SOFRIMENTO… QUANTO MAIS ESFORÇOS, SUPORTAR, PARA OUTROS TANTOS? QUANTO?.
Esse texto fez parte da apresentação de um projeto realizado em 2013, a partir de um convite para participar da ocupação artística em uma fazenda histórica do ciclo do café no Vale do Paraíba. Pensar a questão daqueles povos africanos, sobreviventes, em terras brasileiras, me pareceu essencial para entender o progresso da região a partir de uma população escrava, sujeita aos piores métodos de opressão, tortura e, apesar dessas intempéries, ainda reunia forças para acordar no dia seguinte e trabalhar. Que força era essa?!. O local escolhido_ que aparece na foto_, foi uma antiga caixa d’agua/fonte que por seu formato acolhedor e sua função de armazenador e distribuidor de água, me pareceu ideal a implementação desse projeto. “NEGRO CELESTE” é uma reverência a essa energia vital que alimentou aquela população, apesar de todas as dificuldades. A composição que ouviremos nesse link é uma parceria com o designer sonoro Barachto, sobre “pontos” específicos do candomblé africano, que nesta intervenção, se ouvia de dentro dessa caixa d’água, em um sistema sonoro de altíssima qualidade, em “looping”, dando a impressão aos transeuntes, que o som surgia das entranhas da terra. Fotos: Alberto Vinicius Panisset.


